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Para ler e Pensar
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“Para que Governança?”


Marco Antonio F. Villas-Bôas *

Há alguns anos, Osório se surpreendeu quando Eliezer veio com essa ideia: “Precisamos implantar Governança, Osório...”

Ora, sócios há quinze anos na fábrica de móveis de madeira  “Dois Amigos”,  que ambos montaram juntos, nunca precisaram disso: “Deve ser mais um modismo passageiro!”

Mas Eliezer insistiu e começou a enumerar fatos corriqueiros na história da empresa:

- Nos primeiros anos de operação, a dificuldade em reconhecer os riscos do negócio, a ponto de a empresa ter sido forçada a descontinuar a compra de madeira junto ao seu principal fornecedor, acusado de práticas ambientais não recomendáveis; isso quase provocou a quebra da “Dois Amigos”.

- A contrariedade da sogra de Osório, inicialmente a terceira sócia, com 30% do capital, quanto ao primeiro (e modesto) plano de expansão da empresa; não querendo contrariar a sogra, e na falta de um acordo prévio entre os acionistas, Osório postergou a aprovação do plano por cinco anos, até que ambos compraram meio a meio a parte da sogra, destravando o impasse.

- A dificuldade em viabilizar o mesmo plano de expansão, quando o banco financiador exigiu maior completude e transparência nas demonstrações financeiras da empresa. Resmungou Osório:  “Mas afinal, o que que eles querem ver?”

- A dificuldade em apontar o Diretor Geral da empresa, cargo que ambos, por anos a fio, insistiam em manter dentro do círculo de amizade (“Sei que esse aí não vai me roubar!”), sem avaliação de sua competência.

- O desconforto de ambos e de suas famílias quanto ao direito ao uso da fazendinha de propriedade da empresa.

“Pois isso são coisas básicas na Governança, meu amigo!”, marcou Eliezer.

A história foi longa e trabalhosa.  Mas eles acabaram se acertando.

Ambos concluíram que, com o afastamento da terceira sócia, ambos teriam menos melindres para tomar decisões. Mas também se sentiam carentes de opiniões adicionais, fora de seu mundinho, num momento em que o setor de móveis de madeira passava por mais uma crise, provocada pela competição com outros produtos, tecnologicamente mais modernos e arrojados. 

Começaram contratando Aderbal, o antigo gerente de uma loja de móveis e eletrodomésticos da região, para o cargo de Diretor Geral da “Dois Amigos”.

Reconheceram que o não regramento para o uso de ativos não industriais, como a fazendinha, estava sendo um ponto de brigas e de afastamento entre as famílias: “Aquilo lá é mais um estorvo do que um benefício” - pensavam ambos.

Nesse ponto, a longa argumentação de Eliezer acabou surtindo efeito: montaram um primeiro Conselho de Administração, com cinco membros: ambos os proprietários, mais Santelmo (advogado da cooperativa agrícola da região), Jorge (presidente do clube de boliche local) e Alfredo (contador respeitado na cidade).

Juntos, organizaram pauta de deliberações, discutiram os assuntos e tomaram algumas decisões marcantes:

- sem reconhecer o sentido em manter ativos não produtivos, o Conselho aprovou a alienação da fazendinha;

- validaram a indicação dos nomes para os cargos de Diretor Administrativo e Diretor Financeiro, nomes que foram recrutados no mercado sob a supervisão do Aderbal;

- o Diretor Financeiro reestruturou as práticas de sua área, disso emergindo demonstrações financeiras robustas, suportadas por bons processos de gestão e sistemas confiáveis;

- o Conselho também reconheceu vários aspectos de risco empresarial e validou o plano de gestão desses riscos, montado pelo Aderbal e por sua equipe; tomaram ações corretivas, como a diversificação de fornecedores, os novos padrões de contratação, a regularização das pendências ambientais, o risco introduzido por  concorrentes estrangeiros fabricando móveis de resina, e tantas outras coisas...

Assim, a administração passou não só a ter dados confiáveis sobre o passado recente e o presente, como também passou a avaliar a evolução e a tendência do negócio, os movimentos de seus competidores, o surgimento de novos produtos, e por aí vai...

Isto criou uma inteligência competitiva na empresa, base para o pensamento estratégico e para a formulação dos planos de curto e longo prazo, que Aderbal, metodicamente, passou a submeter para escrutínio do Conselho. 

Dois anos depois, Eliezer e Osório olharam para a  “Dois Irmãos” e perceberam que tinham na mão uma empresa diferente: uma gestão organizada e competente, e uma governança responsável pelo direcionamento estratégico, e pela avaliação e decisão quanto à mitigação dos riscos, entre outras coisas.

Ou seja, a vida da empresa evoluiu para uma condição sem maiores sobressaltos...

A prova de fogo dessa nova situação foi a deliberação do plano estratégico para uma mudança mais radical no negócio: passar a produzir também móveis com madeira aglomerada, com base na competência comercial da empresa, e utilizando outra marca, segundo uma estratégia de marketing embutida no plano estratégico apresentado ao Conselho.

Isso exigiu muita discussão, investimento em tecnologia e ativos, e financiamento bancário.

O Conselho deliberou sobre o plano, e o aprovou.

No momento, dois bancos oferecem financiamento ao plano: os bons demonstrativos da empresa e a projeção de resultados e dívida dão conforto para essa captação.

Ao final da última reunião do Conselho, Osório puxou Eliezer para um canto e confidenciou: “E não é que essa tal de Governança até que é uma coisa boa? Por que foi que a gente não fez tudo isso antes?”

(Nomes e situações são fictícios)fotovillas2.jpg

* Sócio Diretor da MVB – Governança, Estratégia e Gestão.